Há vida literária na web, dizem escritores


Autor/fonte: Agência Brasil
Tags: [ internet ]



Digg del.icio.us

4 de Julho de 2009 - 14h27

As casas editoriais estão de olho na produção literária postada na internet, alerta a professora Beatriz Resende, doutora em literatura comparada. Já o escritor pernambucano Marcelino Freire faz uma veemente defesa do uso das novas tecnologias, como a rede social Twitter, para aproximar os jovens da literatura.

O fenômeno da produção postada na web esteve presente nas rodas de escritores e leitores da 7ª Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). Até Chico Buarque, na mesa Sequências Brasileiras, que agitou a festa na noite de sexta-feira (3), confessou que recorre ao Google nas suas pesquisas.

Autora de livros sobre crítica cultural, Beatriz Resende considera a grande novidade do universo literário o uso da internet para divulgar as obras de escritores que estão dando os primeiros passos. "A novidade é essa nova vida literária, essa circulação de autores, o interesse das editoras por uma literatura que é postada, colocada na web", afirmou Beatriz, convidada para mediar a mesa O Avesso do Realismo, palco do encontro entre o afegão Atiq Rahimi e o brasileiro Bernardo Carvalho ontem (3).

Ela cita como exemplo emblemático desse novo fenômeno o caso da jovem Ana Paula Maia, autora de três romances, entre eles A Guerra dos Bastardos. "Ela publicou o primeiro romance, que teve boa recepção, mas não conseguiu editora para o segundo romance. Escreveu o terceiro e nada. Aí, decidiu colocar na web, em capítulos. E a coisa funcionou, começou a chamar a atenção. Pouco depois, Ana Paula publicou os dois romances, acrescidos de uma novela genial. É um exemplo de como usar essas novas mídias a seu favor."

A professora acrescentou que os recursos oferecidos pela internet estão nas aulas de crítica teatral em uma universidade do Rio de Janeiro. "Fizemos um blog com a produção dos alunos. Foi engraçado, porque, logo no início, houve uma certa resistência. Não era, evidentemente, um problema com a tecnologia. Era um problema com se mostrar, se revelar. Se você coloca na internet, no dia seguinte pode estar no Google, no mundo. No fim do semestre, imprimi toda a produção do blog e levei para a turma. Foi uma surpresa muito interessante ver que a produção também se sustentava em papel", afirmou.

O blog é um dos instrumentos de trabalho do escritor Marcelino Freire, autor de Balé Ralé e Angu de Sangue. E, por meio do Twitter, adotado recentemente, quer postar 1.001 "contos nanicos". "Acho o Twitter uma mania de perseguição, uma coisa esquizofrênica. Você está me seguindo, eu estou te seguindo. Mas quem está te seguindo, você não conhece, nunca viu na vida. Isso é uma neurose. Mas o que vou fazer com isso? Literatura. Onde ela, literatura, puder estar, seja no celular, no Twitter, acho ótimo", diverte-se.

A publicação de pequenos textos literários é frequente na vida de Freire. Em 2004, inspirado na antologia Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, de Ítalo Moriconi, o pernambucano publicou o livro Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século. Para isso, convidou 100 autores, como Dalton Trevisan, Millôr Fernandes, Lygia Fagundes Telles, que escreveram contos com até 50 letras.

Para Marcelino Freire, as novas mídias podem levar grandes nomes da literatura às crianças. "Machado de Assis poderia estar no Twitter. De que forma? Dom Casmurro, que tem capítulos curtíssimos. Mas tem que mostrar que literatura é vida. Vou falar de Machado de Assis, do Rio de Janeiro daquela época, mas vou trazer também um autor contemporâneo para 'conversar' com Machado sobre neuroses e angústias. E literatura precisa ser divertida. Não pode ser aquela chatice reinante", advertiu, com a língua sempre afiada.

"Falam que a internet tem muito lixo. Tem, porque nós produzimos lixo. É um espelho do que nós somos. Vamos fazer com que essa ferramenta seja poderosa na transformação das pessoas", defendeu.

Para a professora Beatriz Resende, não há, por parte do jovem, uma espécie de "recusa da literatura". O que há, segundo ela, é uma "simultaneidade de ações", o que traz uma nova percepção da literatura pela juventude.

"Ler um romance implica recolhimento. Meu apego ao livro vem de uma infância solitária, de um início de juventude solitário. Então, o livro era meu grande companheiro. Isso não acontece mais. O jovem não fica mais solitário. Ele pode estar sozinho, trancado no quarto, mas está navegando na web. Mas sou uma otimista. Haverá uma nova percepção da literatura por parte dos jovens", prevê.




Enviado por xKuRt em 08/07/2009 às 09:01


Itens relacionados

Gartner: nove entre dez mundos virtuais corporativos fracassaram
Fórum de internet da ONU começa no Rio de Janeiro debatendo estabilidade da rede
As sete maravilhas da internet
4G vai aumentar velocidade, mas não deve ampliar cobertura
Microsoft libera download de beta 2 do Internet Explorer 8
Processo criativo de Caetano Veloso poderá ser acompanhado pela internet
Internet no celular
Pesquisa: 55,5 milhões de brasileiros têm internet em casa
Número de internautas brasileiros cresce 48,4% em 2007, afirma IBOPE/NetRatings
Cuba utilizará Internet fornecida pela Venezuela

Listar todos itens relacionados

Avaliação

Esta publicação ainda não foi avaliada!


Avaliar:


A avaliação de publicações é restrita a membros cadastrados e logados no nosso site.



Comentários

Este artigo ainda não foi comentado ou o(s) comentário(s) que foi(ram) enviado(s) a ele ainda não foi(ram) publicado(s).


Envio de comentário:




  

Segunda, 21 de Abril de 2014




Top 5 membros

Últimos membros online

Últimos membros cadastrados



Capa do livro
Android para Programadores: Uma Abordagem Baseada Em Aplicativos


Capa do livro
Montagem de Micros para Autodidatas, Estudantes e Técnicos


Capa do livro
Guerreiro SEO





Hostnet

IMD