Como a Microsoft está se tornando mais verde?
Autor/fonte: John Fontana, do NetworkWorld, do EUA
E-mail/Url: http://computerworld.uol.com.br/gestao/2008/01/17/como-a-microsoft-est...
Tags: [ microsoft ]
17 de janeiro de 2008 - 08h00
Com 70 mil funcionários espalhados pelo mundo, a Microsoft está mergulhada em uma avaliação geral para descobrir como pode se tornar uma companhia mais ambientalmente amigável. A empreitada abrange hardware, software, data centers e o papel da Microsoft enquanto cidadã corporativa. A meta é engajar pessoas, produtos e programas da companhia em uma revolução verde.
Um expurgo das embalagens de PVC, iniciado em 2005, já resultou na eliminação de cerca de 453 toneladas de plástico não degradável. Um data center que será inaugurado brevemente perto de Chicago é um monumento estado da arte à eficiência de energia.
Como parte desta revolução verde, a Microsoft está fazendo parcerias com empreendedores como o ex-presidente Bill Clinton e sua Clinton Foundation para descobrir como as maiores cidades do mundo podem reduzir a emissão de gás carbônico e o gás-estufa. A Microsoft também faz parte do The Green Grid e do Climate Savers, duas abrangentes iniciativas da indústria para eficiência de energia.
Em julho, a Microsoft doou 500 mil dólares a universidades para estimular a pesquisa sobre computação ambientalmente sensível e está dando a partida para seu sexto desafio anual de software Imagine Cup, cujo tema em 2008 é a sustentabilidade ambiental..
O monstro verde
A iniciativa da companhia, porém, não é fruto apenas de automotivação e altruísmo. Em novembro, a Microsoft foi repreendida pelo cão-de-guarda Greenpeace por ter estabelecido o ano de 2011 como prazo final para eliminar produtos químicos tóxicos de seus produtos eletrônicos. Os concorrentes Apple, Dell e outros definiram as datas limites de 2008 e 2009.
Depois da crítica, o Greenpeace elogiou a Microsoft por contatar a organização, atualizar seu web site com uma lista de substâncias banidas e fazer mudanças imediatas onde era possível. Além disso, os militantes verdes atacaram o Vista recentemente por consumir muita energia e por obrigar muitos usuários a adquirir PCs novos e descartar antigos para poder rodar o sistema operacional.
Para coordenar tanto o pró-ativo quanto o reativo, em novembro a Microsoft empossou Rob Bernard no recém-criado cargo de chief environmental strategist e lhe disse para examinar todos os aspectos da companhia e empreender melhorias.
“Minha função será fornecer mais estrutura, orientação e assistência para ajudar as pessoas a pensar sobre os problemas e os desafios e como abordá-los”, conta Bernard. Ele planeja começar a montar uma equipe em janeiro para facilitar a mudança de mentalidade. “A escala real advém quando fazemos centenas de funcionários trabalharem as questões dentro do contexto de suas funções.”
Os resultados se sucedem
A Microsoft já está colhendo resultados. Um serviço de ônibus para funcionários lançado em setembro na sede em Redmond transporta 30 mil pessoas por dia estrada afora. Mais de 30% da força de trabalho da Microsoft participa de programas ou grupos de pessoas que viajam entre o trabalho e a casa.
Uma adaptação para energia solar realizada em 2006 no centro de pesquisa em Mountain View fornece 15% da energia que aquele prédio precisa e gera 400 kilowatts de energia na capacidade máxima. O data center da Microsoft em Quincy emprega energia hidráulica e os caminhões das instalações utilizam biodiesel. Por mês, o programa Microsoft Authorized Refurbisher entrega 5 mil máquinas restauradas para reutilização.
A Microsoft também está investindo bilhões de dólares em novos data centers espalhados pelo mundo que, apesar de utilizarem muita energia, incorporam a última palavra em eficiência energética. Novas instalações estão planejadas para a Irlanda e a Rússia siberiana e em 2007 o trabalho já começou em San Antonio, Texas.
A companhia, que diz ter entre 10 e 100 data centers, usou software para criar um mapa-múndi que agrega 35 fatores, como custos de energia e condições climáticas, para determinar o local ideal para construção. O mapa é um artefato em tempo real que muda de acordo com os acontecimentos mundiais, os preços dos serviços públicos e outros eventos.
Vitrine
A grande vitrine, porém, talvez esteja em Northlake, Ill., um prédio de 40 mil metros quadrados com eficiência de energia para onde a Microsoft se mudará em abril de 2008. Apesar de ter sido construído pela Ascent para abrigar vários inquilinos, a Microsoft alugará o prédio inteiro para suportar operações de data center envolvendo Windows Live, Hotmail e MSN Video.
A Microsoft vai instalar seu próprio design verde dento do prédio, mas a estrutura em si tem qualidades únicas. “O verdadeiro diferencial do prédio está no tamanho e na escala, na proximidade da rede de transmissão de energia, na subestação dedicada no local e na eficiência da refrigeração de ar externa. É aí que está seu verdadeiro atrativo”, afirma Phil Horstmann, fundador e CEO da Ascent, que constrói e opera data centers desde 1998.
O edifício se situa em uma área de 12 acres e conecta à rede elétrica a 138 mil volts, cerca de oito vezes acima da voltagem de conexão típica. A conexão provê um abastecimento de eletricidade muito eficiente e faz do prédio um dos ambientes de data center mais poderosos dos Estados Unidos, segundo Horstmann, que não revelou os custos de construção.
No interior dos seus data centers, a Microsoft idealizou um conjunto de classes de design para eficiência de energia e criou padrões em torno de configurações de servidores e racks, por exemplo.
“Tem tudo a ver com o modo como estes designs se encaixam no local”, observa Mike Manos, diretor sênior de serviços de data center da Microsoft. “Que design lhe dará o impacto mais significativo, o maior número de servidores e a energia mais eficiente com sustentabilidade máxima.”
Velhos truques
Como todos os outros fornecedores de serviços, a Microsoft não informou detalhes sobre suas configurações internas e seus truques de economia de energia, considerando-os uma vantagem competitiva que alavanca lucros. Mas quem já esteve lá conta que a Microsoft está fazendo um trabalho de ponta.
“Tive a oportunidade de visitar as instalações em Bremerton e o sistema de chão elevado era fabuloso em termos de flexibilidade no longo prazo, particularmente no setor onde atuam”, entusiasma-se Kath Williams, consultora-chefe da Kath Williams + Associates. Williams foi presidente do World Green Building Council de 2004 a 2007 e vice-chair do U.S. Green Building Council de 1996 a 2003.
Ela não está a par do plano verde geral da Microsof e acrescenta que “qualquer passo de qualquer empresa, particularmente das grandes, é importante. Estamos manobrando um grande navio”.
O esforço da Microsoft para influenciar esta manobra naturalmente abrange seu software.
As configurações default de gerenciamento de energia do Vista são muito mais agressivas do que as de versões anteriores e o modo sleep é muito mais rápido, compara Bernard, da Microsoft.
O gerenciamento de energia se estende ao Windows Server 2008, que suportará uma tecnologia de virtualização chamada Hyper-V. Ela possibilita a consolidação de servidores para aprimorar o uso da CPU e fornecer gerenciamento de capacidade em tempo real. Aplicações como o Live Meeting e o Roundtable podem ajudar a reduzir a necessidade de fazer viagens, acredita Bernard.
A Microsoft está transpondo seus muros. Em maio de 2007, começou a colaborar voluntariamente com a Clinton Foundation em uma combinação de software e serviços online para ajudar a medir, rastrear e analisar o volume de gás carbônico das maiores cidades do mundo, entre elas Nova York, Roma, Tóquio e Paris. O software científico da associação Local Governments for Sustainability está previsto para o primeiro semestre deste ano.
“Podemos usar inteligência, padrões e outros tipos de ferramentas de análise para auxiliar as cidades a acelerar a inovação na abordagem deste problema”, diz Bernard. A Microsoft também está se unindo a parceiros para desenvolver software que ajudem na sustentabilidade ambiental e em julho passado lançou a competição The Ingenuity Point.
Tudo se soma para formar uma iniciativa massiva que Bernard precisa organizar e desenvolver. “A meta final é fomentar a mudança não só nos nossos produtos, mas também no modo como eles são criados e usados, como eles mesmos consomem energia e como são reciclados. Igualmente importante é o modo como ajudamos a indústria a explorar o software para resolver estes grandes problemas ambientais.” O trabalho está apenas começando para a Microsoft e para a indústria, admite Bernard: “Ainda estamos no primeiro round enquanto sociedade e empresa”.
Com 70 mil funcionários espalhados pelo mundo, a Microsoft está mergulhada em uma avaliação geral para descobrir como pode se tornar uma companhia mais ambientalmente amigável. A empreitada abrange hardware, software, data centers e o papel da Microsoft enquanto cidadã corporativa. A meta é engajar pessoas, produtos e programas da companhia em uma revolução verde.
Um expurgo das embalagens de PVC, iniciado em 2005, já resultou na eliminação de cerca de 453 toneladas de plástico não degradável. Um data center que será inaugurado brevemente perto de Chicago é um monumento estado da arte à eficiência de energia.
Como parte desta revolução verde, a Microsoft está fazendo parcerias com empreendedores como o ex-presidente Bill Clinton e sua Clinton Foundation para descobrir como as maiores cidades do mundo podem reduzir a emissão de gás carbônico e o gás-estufa. A Microsoft também faz parte do The Green Grid e do Climate Savers, duas abrangentes iniciativas da indústria para eficiência de energia.
Em julho, a Microsoft doou 500 mil dólares a universidades para estimular a pesquisa sobre computação ambientalmente sensível e está dando a partida para seu sexto desafio anual de software Imagine Cup, cujo tema em 2008 é a sustentabilidade ambiental..
O monstro verde
A iniciativa da companhia, porém, não é fruto apenas de automotivação e altruísmo. Em novembro, a Microsoft foi repreendida pelo cão-de-guarda Greenpeace por ter estabelecido o ano de 2011 como prazo final para eliminar produtos químicos tóxicos de seus produtos eletrônicos. Os concorrentes Apple, Dell e outros definiram as datas limites de 2008 e 2009.
Depois da crítica, o Greenpeace elogiou a Microsoft por contatar a organização, atualizar seu web site com uma lista de substâncias banidas e fazer mudanças imediatas onde era possível. Além disso, os militantes verdes atacaram o Vista recentemente por consumir muita energia e por obrigar muitos usuários a adquirir PCs novos e descartar antigos para poder rodar o sistema operacional.
Para coordenar tanto o pró-ativo quanto o reativo, em novembro a Microsoft empossou Rob Bernard no recém-criado cargo de chief environmental strategist e lhe disse para examinar todos os aspectos da companhia e empreender melhorias.
“Minha função será fornecer mais estrutura, orientação e assistência para ajudar as pessoas a pensar sobre os problemas e os desafios e como abordá-los”, conta Bernard. Ele planeja começar a montar uma equipe em janeiro para facilitar a mudança de mentalidade. “A escala real advém quando fazemos centenas de funcionários trabalharem as questões dentro do contexto de suas funções.”
Os resultados se sucedem
A Microsoft já está colhendo resultados. Um serviço de ônibus para funcionários lançado em setembro na sede em Redmond transporta 30 mil pessoas por dia estrada afora. Mais de 30% da força de trabalho da Microsoft participa de programas ou grupos de pessoas que viajam entre o trabalho e a casa.
Uma adaptação para energia solar realizada em 2006 no centro de pesquisa em Mountain View fornece 15% da energia que aquele prédio precisa e gera 400 kilowatts de energia na capacidade máxima. O data center da Microsoft em Quincy emprega energia hidráulica e os caminhões das instalações utilizam biodiesel. Por mês, o programa Microsoft Authorized Refurbisher entrega 5 mil máquinas restauradas para reutilização.
A Microsoft também está investindo bilhões de dólares em novos data centers espalhados pelo mundo que, apesar de utilizarem muita energia, incorporam a última palavra em eficiência energética. Novas instalações estão planejadas para a Irlanda e a Rússia siberiana e em 2007 o trabalho já começou em San Antonio, Texas.
A companhia, que diz ter entre 10 e 100 data centers, usou software para criar um mapa-múndi que agrega 35 fatores, como custos de energia e condições climáticas, para determinar o local ideal para construção. O mapa é um artefato em tempo real que muda de acordo com os acontecimentos mundiais, os preços dos serviços públicos e outros eventos.
Vitrine
A grande vitrine, porém, talvez esteja em Northlake, Ill., um prédio de 40 mil metros quadrados com eficiência de energia para onde a Microsoft se mudará em abril de 2008. Apesar de ter sido construído pela Ascent para abrigar vários inquilinos, a Microsoft alugará o prédio inteiro para suportar operações de data center envolvendo Windows Live, Hotmail e MSN Video.
A Microsoft vai instalar seu próprio design verde dento do prédio, mas a estrutura em si tem qualidades únicas. “O verdadeiro diferencial do prédio está no tamanho e na escala, na proximidade da rede de transmissão de energia, na subestação dedicada no local e na eficiência da refrigeração de ar externa. É aí que está seu verdadeiro atrativo”, afirma Phil Horstmann, fundador e CEO da Ascent, que constrói e opera data centers desde 1998.
O edifício se situa em uma área de 12 acres e conecta à rede elétrica a 138 mil volts, cerca de oito vezes acima da voltagem de conexão típica. A conexão provê um abastecimento de eletricidade muito eficiente e faz do prédio um dos ambientes de data center mais poderosos dos Estados Unidos, segundo Horstmann, que não revelou os custos de construção.
No interior dos seus data centers, a Microsoft idealizou um conjunto de classes de design para eficiência de energia e criou padrões em torno de configurações de servidores e racks, por exemplo.
“Tem tudo a ver com o modo como estes designs se encaixam no local”, observa Mike Manos, diretor sênior de serviços de data center da Microsoft. “Que design lhe dará o impacto mais significativo, o maior número de servidores e a energia mais eficiente com sustentabilidade máxima.”
Velhos truques
Como todos os outros fornecedores de serviços, a Microsoft não informou detalhes sobre suas configurações internas e seus truques de economia de energia, considerando-os uma vantagem competitiva que alavanca lucros. Mas quem já esteve lá conta que a Microsoft está fazendo um trabalho de ponta.
“Tive a oportunidade de visitar as instalações em Bremerton e o sistema de chão elevado era fabuloso em termos de flexibilidade no longo prazo, particularmente no setor onde atuam”, entusiasma-se Kath Williams, consultora-chefe da Kath Williams + Associates. Williams foi presidente do World Green Building Council de 2004 a 2007 e vice-chair do U.S. Green Building Council de 1996 a 2003.
Ela não está a par do plano verde geral da Microsof e acrescenta que “qualquer passo de qualquer empresa, particularmente das grandes, é importante. Estamos manobrando um grande navio”.
O esforço da Microsoft para influenciar esta manobra naturalmente abrange seu software.
As configurações default de gerenciamento de energia do Vista são muito mais agressivas do que as de versões anteriores e o modo sleep é muito mais rápido, compara Bernard, da Microsoft.
O gerenciamento de energia se estende ao Windows Server 2008, que suportará uma tecnologia de virtualização chamada Hyper-V. Ela possibilita a consolidação de servidores para aprimorar o uso da CPU e fornecer gerenciamento de capacidade em tempo real. Aplicações como o Live Meeting e o Roundtable podem ajudar a reduzir a necessidade de fazer viagens, acredita Bernard.
A Microsoft está transpondo seus muros. Em maio de 2007, começou a colaborar voluntariamente com a Clinton Foundation em uma combinação de software e serviços online para ajudar a medir, rastrear e analisar o volume de gás carbônico das maiores cidades do mundo, entre elas Nova York, Roma, Tóquio e Paris. O software científico da associação Local Governments for Sustainability está previsto para o primeiro semestre deste ano.
“Podemos usar inteligência, padrões e outros tipos de ferramentas de análise para auxiliar as cidades a acelerar a inovação na abordagem deste problema”, diz Bernard. A Microsoft também está se unindo a parceiros para desenvolver software que ajudem na sustentabilidade ambiental e em julho passado lançou a competição The Ingenuity Point.
Tudo se soma para formar uma iniciativa massiva que Bernard precisa organizar e desenvolver. “A meta final é fomentar a mudança não só nos nossos produtos, mas também no modo como eles são criados e usados, como eles mesmos consomem energia e como são reciclados. Igualmente importante é o modo como ajudamos a indústria a explorar o software para resolver estes grandes problemas ambientais.” O trabalho está apenas começando para a Microsoft e para a indústria, admite Bernard: “Ainda estamos no primeiro round enquanto sociedade e empresa”.

Enviado por xKuRt em 17/01/2008 às 11:55
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